Ela estava a passeio em São Paulo mais uma vez, e era mais uma noite típica que ocorria em sua estadia por lá. Saíram para jantar fora, ela, Heber, Violeta, Murilo, Bruno e Yuri. Escolheram um lugarzinho na R. 13 de maio, agradavel, com mesinhas na calçada. Havia um grande movimento de carros naquela rua estreita, mas nada que atrapalhasse a conversa, sobre musicais, é claro!
Tudo corria de forma tranquila, o papo era bom, e a comida tinha acabado de chegar, quando de repente são surpresos por um som alto e um certo tumulto, olhando em direção a rua e percebem que estavam assaltando um carro em frente ao local, dois homens armados, um subiu no capô do carro e o outro abriu a porta e puxou o motorista para fora, ambos armados, causando um pânico no local! Todos correm para dentro do restaurante fugindo do perigo. Heber corre para dentro do banheiro do local e dá de cara com duas loiras, não satisfeito decide abrir a porta e chamar seus amigos para entrarem no mini cubiculo e se protegerem. Olhando ao redor naquele mini banheiro perceberam que faltavam duas pessoas, Yuri que optou por ficar à mesa assistindo ao espetáculo e Murilo que se perdeu no caminho entre a mesa e o banheiro, provavelmente se perguntando o porque de todos estarem correndo. Heber rapidamente liga para a polícia e informa o ocorrido, ficando irritado quando os policiais pedem que ele descreva os assaltantes, como se ele tivesse parado para olhar, com certeza ele foi o primeiro a sair correndo, pulando por cima de pessoas e cadeiras e gritando em voz estridente "Socorro! Socorro!". ele afirma para os policiais que se não aparecessem logo todos iriam ser mortos naquele local, nem um pouco exagerado! Enquanto esperavam naquele mini cubiculo puderam se acalmar, e ao olharem uns para os outros eis que estava ela, sem bolsa, sem carteira, sem nenhum de seus pertences, mas com o belo sanduiche que havia pedido na mão!
Essa é a nossa querida Jessica! A bolsa pode, a carteira pode, tudo pode... mas nao mexam com a comida dela! É que nem cachorro bravo quando está comendo, se pegar ela morde!!!
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
(DESNE)CESÁREA
Essa reportagem explica muito bem o porque do excesso de cesareas no Brasil. Parabéns para as reporteres! Foi retirada do site Pais e Filhos.
Para ver a reportagem original clique aqui.
(desne)Cesárea
por Larissa Purvinni, mãe de Carol, Duda e Babi, com reportagem de Cíntia Marcucci, filha de Mariza e Emiliano, Paula Montefusco, filha de Regina e Antonio, e Sofia Benini, filha de Maria Paula e Nery
MAIS DE 70% DAS BRASILEIRAS QUEREM FAZER PARTO NORMAL, MAS SÓ 10% CONSEGUEM. FOMOS INVESTIGAR OS PRINCIPAIS MOTIVOS QUE LEVAM A ESSE DESCOMPASSO
A maioria das brasileiras (70%) gostaria de tentar o parto normal, mas muito poucas (10%) conseguem. O dado vem de pesquisa da Escola Nacional de Saúde Pública com colaboração do Instituto Fernandes Figueira, da Fiocruz, e da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro. Nosso país é campeão em partos cirúrgicos, com índices que atingem 43% do total de nascimentos e chegam a 80% nos hospitais particulares.
Em certas maternidades, a taxa ultrapassa 98%, quando a Organização Mundial da Saúde recomenda que não passe de 15% dos partos. As razões esbarram em questões culturais e na realidade do nosso sistema de saúde. As mulheres também levam parte da culpa, segundo os médicos. “A mulher latina suporta mal a dor, a encara como sofrimento, não como algo que depois a leva a uma grande realização pessoal”, aponta o ginecologista e obstetra Carlos Czeresnia, pai de Débora, Liora, Diana, Jonathan e Ricardo. O obstetra Jorge Kuhn, pai de Renata, Clara e Otávio, concorda: “Muitas mulheres esperam um parto utópico: rápido e sem dor”.
Parto no convênio
O outro lado da questão envolve o sistema de saúde brasileiro, em especial os convênios médicos. “Um parto normal pode demorar de 8 a 12 horas e ocorrer a qualquer momento. O médico faz as contas e conclui que é mais econômico programar a cesárea”, avalia Czeresnia. Por outro lado, o obstetra Jorge Hodick-Lenson, pai de Íris e Rebeca e avô de Sofia, que vieram ao mundo pelas suas mãos, afirma que, mesmo para médicos particulares, pagos diretamente pela paciente, sem depender da tabela dos planos de saúde, a incidência de cesáreas é alta – cerca de 80%. “A cliente está pagando pelo tempo necessário para o médico ficar com ela durante o trabalho de parto e, ainda assim, ele faz a cirurgia sem indicação efetiva, já que não existem 80% de indicações médicas para cesariana. Isso poderia ser considerado uma verdadeira epidemia de patologias obstétricas”. Ou seja: seria como dizer que as brasileiras têm algum defeito de fábrica: não entram em trabalho de parto, não têm dilatação e por aí vai...
O obstetra vai além: “Há alguns anos eu fiz uma pesquisa com 2.000 mulheres, fiz duas perguntas durante a execução de exames de ultrassonografia de rotina ginecológica. A primeira foi: ‘Seu parto ou partos foram normais ou cesarianas?’. Quase que 80% responderam que foram cesarianas. A segunda pergunta foi: ‘Por que foi cesariana?’. Quase 80% responderam quase com as mesmas palavras: ‘Não tive dilatação’. Ou seja, dá a impressão de que a mulher brasileira tem um ‘defeito’ no colo do útero – que dilata em todas as mulheres do mundo, menos nela. Isso denota uma falsa informação e indicação quanto aos motivos da cesariana”. Traduzindo: os médicos indicam o parto cirúrgico sem real necessidade e minimizam os riscos.
Cesárea segura?
Muitos profissionais insistem que, no caso do Brasil, a cesárea é tão segura quanto o parto normal, quando estudos mostram risco de morte quase 11 vezes maior em comparação às que fizeram parto vaginal. Há casos em que o doutor chega a dizer que não há diferença entre os dois tipos de parto, ambos têm vantagens e desvantagens, quando a evidência científica é a de que o parto normal é o melhor para mãe e bebê. Bebês nascidos por meio de cesárea têm risco quase 5 vezes maior de precisar ficar na UTI ou na semi-intensiva. Para os nascidos a termo, o risco de desenvolver desconforto respiratório é 7 vezes maior nos nascidos de cesáreas programadas do que nos nascidos de parto normal, porque o trabalho de parto serve para terminar o amadurecimento do bebê, principalmente dos sistemas respiratório, imunológico e nervoso. Muito disso ocorre por outro fator cultural, que é a confiança quase cega nos médicos, que faz muitas mulheres só se basearem no que seu obstetra lhes diz. Quando perguntamos sobre como convencer a mulher de que o parto normal deve ser a primeira opção, o dr. Kuhn, pai de Renata, Clara e Otávio, aponta que esse não é o caminho para reverter o alto número de cesáreas. “A palavra não é convencimento. A mulher precisa se informar adequadamente. Mas aí vem a comodidade tanto dela quanto do médico. Para o Ministério da Saúde é interessante investir no parto normal, pois, além de ser o melhor para o bebê e para a mulher, é mais barato e não apresenta os riscos de uma cirurgia. Os médicos não explicam sobre possíveis hemorragias e infecções, pois não é conveniente”. Ou seja: muitos médicos, no mínimo, omitem informações importantes.
O papel do acompanhante
Uma das investidas do Ministério é implementar a Lei do Acompanhante, que prevê a entrada de um acompanhante da escolha da mulher na sala de parto – sem custo adicional. “A mulher tem de confiar em si mesma e em quem está com ela. E se sentir acolhida no ambiente para ter a tranquilidade de esperar o curso natural do parto”, comenta Daphne Rattner, filha de Henrique e Miriam, especializada na área técnica da Saúde da Mulher do Ministério da Saúde. Desde o ano passado, quem tem convênio médico tem direito a uma enfermeira obstetra e a uma acompanhante de parto. A meta do governo é reduzir de 80% para 60%, até 2011, o percentual de cesarianas em partos cobertos por planos e seguros de saúde. Na rede pública, em que o percentual já é menor, a meta é reduzir de 30% para 25%. No entanto, neste ano, dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostraram um novo aumento da taxa de cesarianas: em 2008, 84,5% dos partos cobertos por planos de saúde foram cesarianas; em 2004, a taxa era de 79%. Claro que a culpa não é só do médico. Muitas vezes, a própria paciente demonstra em suas atitudes, mesmo que diga que quer o parto normal, que não está realmente disposta a passar por tudo que ele implica. O que vale a pena, sempre, é ir atrás de informações e buscar, o mais cedo possível, um médico que esteja de acordo com a sua ideia de como deve ser o parto do seu filho. Conversamos com mulheres que queriam muito ter feito parto normal, mas acabaram fazendo o que, desconfiam, foi uma “desnecesárea” – e identificamos alguns dos principais motivos que levam a esse desencontro.
Quatro problemas, quatro soluções
MÃES QUE QUERIAM QUE SEUS FILHOS NASCESSEM POR PARTO NORMAL CONTAM AS DIFICULDADES QUE ELAS ENFRENTARAM. A GENTE TE AJUDA A ENTENDER CADA CASO - E COMO RESOLVÊ-LO, SE FOR POSSÍVEL
1. A escolha errada do médico
"Confiei na minha médica, que me disse que a prioridade era sempre o parto normal. Em quem mais eu confiaria? Com 39 semanas, ela me fez um exame de toque e disse que não havia nada de dilatação. Como eu havia passado por uma cirurgia para a retirada de um suposto tecido cancerígeno do útero (diagnóstico nunca confirmado), bastou. Ela me disse: “Se com 39 semanas você não tem nem sinal de dilatação é porque seu útero é enrijecido. Vamos marcar a cesárea, porque você nunca vai ter dilatação”. Eu me lembro de sair aos prantos do consultório. Após a cirurgia ela me disse: “Querida, você realmente não teria um parto normal, pois, além de não dilatar, seu bebê não estava encaixado”. Na hora, ainda anestesiada, nem percebi o absurdo dessa declaração."
Renata Suarez, mãe de Pedro e Léo
O PROBLEMA. Muitos planos de saúde pagam entre R$ 300 e R$ 500 pelo acompanhamento de um parto e poucos médicos se dispõem a trabalhar mais de dez horas por essa quantia. Alguns, para não perder a paciente, dizem que só na hora do parto é possível saber como proceder. Há bons médicos, que não exporiam mãe ou bebê aos riscos de uma cirurgia desnecessária. Mas não é tão fácil encontrá-los.
A SOLUÇÃO. Peça indicações a grupos de apoio ao parto normal, como o Amigas do Parto (www.amigasdoparto.com.br). Outra maneira é selecionar médicos do convênio e ligar para o consultório perguntando: “Você sabe dizer se ele faz mais partos normais ou cesáreas?”. Se a resposta for que ele faz cesárea de vez em quando, mas a maior parte é de partos normais, é uma boa pista. Converse com as pacientes na sala de espera; se a maioria fez cesárea, é mau sinal. Outra opção é ligar para a maternidade e pedir para falar com a enfermeira obstetra. Ela poderá indicar médicos adeptos do parto normal.
2 Dificuldade de lidar com a dor
"Desde que soube que estava grávida, tinha vontade que meu filho nascesse por parto normal. O dia do nascimento chegou e, depois de doze horas de trabalho de parto, a dor estava insuportável. Quis anestesia, o que me trouxe alívio da dor, mas atrapalhou na progressão das contrações. Continuei tentando por mais um tempo, mas, com quase 24h de trabalho de parto, estava exausta, no meu limite e acabei optando pela cesárea. Hoje, Flávia está com 8 meses; mas, se engravidar de um segundo filho, quero tentar dar à luz por parto normal".
Eliane Midori Tanaka, mãe de Flávia
O PROBLEMA. A percepção da dor varia muito de mulher para mulher. Algumas as descrevem como cólicas menstruais intensas, mas suportáveis; outras a consideram intolerável. É importante que a mulher esteja preparada para sentir alguma dor. O fato de ficar imobilizada na cama de parto atrapalha também. A anestesia barra a sensação dolorosa, mas pode diminuir a intensidade das contrações e a progressão da dilatação, aumentando o risco de cesárea. Por isso, ela é dada com o trabalho de parto bem avançado.
A SOLUÇÃO. Contar com um acompanhante de sua confiança ajuda a tolerar a dor. A presença de uma doula (profissional que acompanha o parto) é associada a menor necessidade de anestesia e de cesarianas. O corpo tem anestésicos naturais, as endorfinas, cuja produção é incentivada por um ambiente tranquilo e bloqueada pela presença de estranhos e pelo medo. Estudos mostram que o principal fator que faz a mulher não precisar de anestesia é ela acreditar que não precisa. A liberdade de posição ajuda: poder mudar de lado, caminhar, ter alguém que faça uma massagem, ficar naquela bola tipo Pilates ou na banheira de hidromassagem facilita controlar a sensação de dor.
3 Bebê "grande demais", com mais de 3,5 kg
"Chegando perto da 41ª semana, fiz o cardiotoco (exame que avalia o bem-estar fetal) e um ultrassom e, então, fui ao consultório. Estava com 1 cm de dilatação, mas, ao ver o ultrassom, a médica decretou: “Seu bebê está muito grande, com 3,980 kg e só faço partos normais em bebês até 3,5 kg”. Perdi o chão. Não tinha lido nada sobre até quantos quilos um parto normal não seria arriscado. Eu pedia calma, que precisava pensar, e ela disse: “Priscila, eu te disse que a apoiaria em um parto normal, desde que não oferecesse risco para você ou para a bebê. Nem mesmo pelo SUS fariam um parto normal com um bebê tão grande, pode quebrar algum ossinho e ela pode ter um problema para o resto da vida. É isso que você quer? Tente a sorte com um plantonista do hospital, talvez algum louco aceite.” Sem respostas, ela marcou minha cesárea. Recebi um documento dizendo: bebê macrossômico. A Lívia nasceu no mesmo dia, "salva por uma cesárea".
Priscila Moraes, mãe de Lívia
O PROBLEMA. Um bebê é considerado macrossômico (muito grande e pesado) acima de 3,7 kg, mas, ainda assim, é possível fazer o parto vaginal. A questão do feto macrossômico deve ser vista sempre em conjunto com o fator materno. Existem gestantes que conseguem dar à luz crianças grandes, porque têm uma boa bacia, o canal de parto. Há gestantes que, mesmo com bebês de peso normal (em tormo de 3 kg) não conseguem, por ter bacia estreita.
A SOLUÇÃO. É preciso se informar sobre se o médico apoia o parto normal e tem experiência em realizá-lo. Muitos profissionais sentem-se inseguros em fazer um parto normal por desconhecimento. Também existe o medo de processos. É mais fácil um médico ser processado por não fazer uma cesárea do que por tê-la feito desnecessariamente.
4. A gravidez ultrapassou o tempo previsto
"Deixei claro para o meu médico que queria um parto normal sem anestesia. Com 39 semanas, ele me examinou e disse que minha filha já estava encaixada e que o parto seria, muito provavelmente, naquele final de semana, mas não rolou. Ele tinha me dito que, se eu chegasse às 41 semanas, seria internada. Três dias antes disso, fui ao consultório e não tinha dilatação. Ele me disse que a cabeça estava muito alta e ele achava que ela não iria descer, porque meu quadril era muito estreito e informou que, para ele, o tempo de espera tinha acabado. Perguntei se não iria tentar induzir e ele disse que não, pois em seus 30 anos de experiência isso não adiantaria e ele não saberia se havia mecônio ou se iria causar sofrimento no bebê. Acabei fazendo cesárea. Soube, depois, que não havia mecônio, mas na hora fiquei em dúvida. Não acho que o meu médico me enganou, mas chegou ao limite de sua crença médica e achou mais prudente fazer a cesárea".
Elenira Peixoto, mãe de Dora
O PROBLEMA. A gestação humana normal vai de 37 a 42 semanas. Para que seja considerada passada da data provável (pós-data), precisa exceder 42 semanas ou 294 dias a partir do primeiro dia da última menstruação. Nem toda mulher dá à luz na chamada data provável de parto: 58% têm o bebê até o final da 40ª semana. Há a possibilidade de o “atraso” se dever à inexatidão do cálculo. Numa cesárea marcada antes que a mãe entre em trabalho de parto, há risco de o bebê nascer prematuro.
A SOLUÇÃO. É possível fazer exames para acompanhar o bem-estar do feto e a situação da placenta, que pode deixar de realizar a função respiratória e de propiciar os nutrientes essenciais de que o bebê necessita quando a gestação se estende muito. Se tudo estiver bem, ainda é possível tentar induzir o parto.
Para ver a reportagem original clique aqui.
(desne)Cesárea
por Larissa Purvinni, mãe de Carol, Duda e Babi, com reportagem de Cíntia Marcucci, filha de Mariza e Emiliano, Paula Montefusco, filha de Regina e Antonio, e Sofia Benini, filha de Maria Paula e Nery
MAIS DE 70% DAS BRASILEIRAS QUEREM FAZER PARTO NORMAL, MAS SÓ 10% CONSEGUEM. FOMOS INVESTIGAR OS PRINCIPAIS MOTIVOS QUE LEVAM A ESSE DESCOMPASSO
A maioria das brasileiras (70%) gostaria de tentar o parto normal, mas muito poucas (10%) conseguem. O dado vem de pesquisa da Escola Nacional de Saúde Pública com colaboração do Instituto Fernandes Figueira, da Fiocruz, e da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro. Nosso país é campeão em partos cirúrgicos, com índices que atingem 43% do total de nascimentos e chegam a 80% nos hospitais particulares.
Em certas maternidades, a taxa ultrapassa 98%, quando a Organização Mundial da Saúde recomenda que não passe de 15% dos partos. As razões esbarram em questões culturais e na realidade do nosso sistema de saúde. As mulheres também levam parte da culpa, segundo os médicos. “A mulher latina suporta mal a dor, a encara como sofrimento, não como algo que depois a leva a uma grande realização pessoal”, aponta o ginecologista e obstetra Carlos Czeresnia, pai de Débora, Liora, Diana, Jonathan e Ricardo. O obstetra Jorge Kuhn, pai de Renata, Clara e Otávio, concorda: “Muitas mulheres esperam um parto utópico: rápido e sem dor”.
Parto no convênio
O outro lado da questão envolve o sistema de saúde brasileiro, em especial os convênios médicos. “Um parto normal pode demorar de 8 a 12 horas e ocorrer a qualquer momento. O médico faz as contas e conclui que é mais econômico programar a cesárea”, avalia Czeresnia. Por outro lado, o obstetra Jorge Hodick-Lenson, pai de Íris e Rebeca e avô de Sofia, que vieram ao mundo pelas suas mãos, afirma que, mesmo para médicos particulares, pagos diretamente pela paciente, sem depender da tabela dos planos de saúde, a incidência de cesáreas é alta – cerca de 80%. “A cliente está pagando pelo tempo necessário para o médico ficar com ela durante o trabalho de parto e, ainda assim, ele faz a cirurgia sem indicação efetiva, já que não existem 80% de indicações médicas para cesariana. Isso poderia ser considerado uma verdadeira epidemia de patologias obstétricas”. Ou seja: seria como dizer que as brasileiras têm algum defeito de fábrica: não entram em trabalho de parto, não têm dilatação e por aí vai...
O obstetra vai além: “Há alguns anos eu fiz uma pesquisa com 2.000 mulheres, fiz duas perguntas durante a execução de exames de ultrassonografia de rotina ginecológica. A primeira foi: ‘Seu parto ou partos foram normais ou cesarianas?’. Quase que 80% responderam que foram cesarianas. A segunda pergunta foi: ‘Por que foi cesariana?’. Quase 80% responderam quase com as mesmas palavras: ‘Não tive dilatação’. Ou seja, dá a impressão de que a mulher brasileira tem um ‘defeito’ no colo do útero – que dilata em todas as mulheres do mundo, menos nela. Isso denota uma falsa informação e indicação quanto aos motivos da cesariana”. Traduzindo: os médicos indicam o parto cirúrgico sem real necessidade e minimizam os riscos.
Cesárea segura?
Muitos profissionais insistem que, no caso do Brasil, a cesárea é tão segura quanto o parto normal, quando estudos mostram risco de morte quase 11 vezes maior em comparação às que fizeram parto vaginal. Há casos em que o doutor chega a dizer que não há diferença entre os dois tipos de parto, ambos têm vantagens e desvantagens, quando a evidência científica é a de que o parto normal é o melhor para mãe e bebê. Bebês nascidos por meio de cesárea têm risco quase 5 vezes maior de precisar ficar na UTI ou na semi-intensiva. Para os nascidos a termo, o risco de desenvolver desconforto respiratório é 7 vezes maior nos nascidos de cesáreas programadas do que nos nascidos de parto normal, porque o trabalho de parto serve para terminar o amadurecimento do bebê, principalmente dos sistemas respiratório, imunológico e nervoso. Muito disso ocorre por outro fator cultural, que é a confiança quase cega nos médicos, que faz muitas mulheres só se basearem no que seu obstetra lhes diz. Quando perguntamos sobre como convencer a mulher de que o parto normal deve ser a primeira opção, o dr. Kuhn, pai de Renata, Clara e Otávio, aponta que esse não é o caminho para reverter o alto número de cesáreas. “A palavra não é convencimento. A mulher precisa se informar adequadamente. Mas aí vem a comodidade tanto dela quanto do médico. Para o Ministério da Saúde é interessante investir no parto normal, pois, além de ser o melhor para o bebê e para a mulher, é mais barato e não apresenta os riscos de uma cirurgia. Os médicos não explicam sobre possíveis hemorragias e infecções, pois não é conveniente”. Ou seja: muitos médicos, no mínimo, omitem informações importantes.
O papel do acompanhante
Uma das investidas do Ministério é implementar a Lei do Acompanhante, que prevê a entrada de um acompanhante da escolha da mulher na sala de parto – sem custo adicional. “A mulher tem de confiar em si mesma e em quem está com ela. E se sentir acolhida no ambiente para ter a tranquilidade de esperar o curso natural do parto”, comenta Daphne Rattner, filha de Henrique e Miriam, especializada na área técnica da Saúde da Mulher do Ministério da Saúde. Desde o ano passado, quem tem convênio médico tem direito a uma enfermeira obstetra e a uma acompanhante de parto. A meta do governo é reduzir de 80% para 60%, até 2011, o percentual de cesarianas em partos cobertos por planos e seguros de saúde. Na rede pública, em que o percentual já é menor, a meta é reduzir de 30% para 25%. No entanto, neste ano, dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostraram um novo aumento da taxa de cesarianas: em 2008, 84,5% dos partos cobertos por planos de saúde foram cesarianas; em 2004, a taxa era de 79%. Claro que a culpa não é só do médico. Muitas vezes, a própria paciente demonstra em suas atitudes, mesmo que diga que quer o parto normal, que não está realmente disposta a passar por tudo que ele implica. O que vale a pena, sempre, é ir atrás de informações e buscar, o mais cedo possível, um médico que esteja de acordo com a sua ideia de como deve ser o parto do seu filho. Conversamos com mulheres que queriam muito ter feito parto normal, mas acabaram fazendo o que, desconfiam, foi uma “desnecesárea” – e identificamos alguns dos principais motivos que levam a esse desencontro.
Quatro problemas, quatro soluções
MÃES QUE QUERIAM QUE SEUS FILHOS NASCESSEM POR PARTO NORMAL CONTAM AS DIFICULDADES QUE ELAS ENFRENTARAM. A GENTE TE AJUDA A ENTENDER CADA CASO - E COMO RESOLVÊ-LO, SE FOR POSSÍVEL
1. A escolha errada do médico
"Confiei na minha médica, que me disse que a prioridade era sempre o parto normal. Em quem mais eu confiaria? Com 39 semanas, ela me fez um exame de toque e disse que não havia nada de dilatação. Como eu havia passado por uma cirurgia para a retirada de um suposto tecido cancerígeno do útero (diagnóstico nunca confirmado), bastou. Ela me disse: “Se com 39 semanas você não tem nem sinal de dilatação é porque seu útero é enrijecido. Vamos marcar a cesárea, porque você nunca vai ter dilatação”. Eu me lembro de sair aos prantos do consultório. Após a cirurgia ela me disse: “Querida, você realmente não teria um parto normal, pois, além de não dilatar, seu bebê não estava encaixado”. Na hora, ainda anestesiada, nem percebi o absurdo dessa declaração."
Renata Suarez, mãe de Pedro e Léo
O PROBLEMA. Muitos planos de saúde pagam entre R$ 300 e R$ 500 pelo acompanhamento de um parto e poucos médicos se dispõem a trabalhar mais de dez horas por essa quantia. Alguns, para não perder a paciente, dizem que só na hora do parto é possível saber como proceder. Há bons médicos, que não exporiam mãe ou bebê aos riscos de uma cirurgia desnecessária. Mas não é tão fácil encontrá-los.
A SOLUÇÃO. Peça indicações a grupos de apoio ao parto normal, como o Amigas do Parto (www.amigasdoparto.com.br). Outra maneira é selecionar médicos do convênio e ligar para o consultório perguntando: “Você sabe dizer se ele faz mais partos normais ou cesáreas?”. Se a resposta for que ele faz cesárea de vez em quando, mas a maior parte é de partos normais, é uma boa pista. Converse com as pacientes na sala de espera; se a maioria fez cesárea, é mau sinal. Outra opção é ligar para a maternidade e pedir para falar com a enfermeira obstetra. Ela poderá indicar médicos adeptos do parto normal.
2 Dificuldade de lidar com a dor
"Desde que soube que estava grávida, tinha vontade que meu filho nascesse por parto normal. O dia do nascimento chegou e, depois de doze horas de trabalho de parto, a dor estava insuportável. Quis anestesia, o que me trouxe alívio da dor, mas atrapalhou na progressão das contrações. Continuei tentando por mais um tempo, mas, com quase 24h de trabalho de parto, estava exausta, no meu limite e acabei optando pela cesárea. Hoje, Flávia está com 8 meses; mas, se engravidar de um segundo filho, quero tentar dar à luz por parto normal".
Eliane Midori Tanaka, mãe de Flávia
O PROBLEMA. A percepção da dor varia muito de mulher para mulher. Algumas as descrevem como cólicas menstruais intensas, mas suportáveis; outras a consideram intolerável. É importante que a mulher esteja preparada para sentir alguma dor. O fato de ficar imobilizada na cama de parto atrapalha também. A anestesia barra a sensação dolorosa, mas pode diminuir a intensidade das contrações e a progressão da dilatação, aumentando o risco de cesárea. Por isso, ela é dada com o trabalho de parto bem avançado.
A SOLUÇÃO. Contar com um acompanhante de sua confiança ajuda a tolerar a dor. A presença de uma doula (profissional que acompanha o parto) é associada a menor necessidade de anestesia e de cesarianas. O corpo tem anestésicos naturais, as endorfinas, cuja produção é incentivada por um ambiente tranquilo e bloqueada pela presença de estranhos e pelo medo. Estudos mostram que o principal fator que faz a mulher não precisar de anestesia é ela acreditar que não precisa. A liberdade de posição ajuda: poder mudar de lado, caminhar, ter alguém que faça uma massagem, ficar naquela bola tipo Pilates ou na banheira de hidromassagem facilita controlar a sensação de dor.
3 Bebê "grande demais", com mais de 3,5 kg
"Chegando perto da 41ª semana, fiz o cardiotoco (exame que avalia o bem-estar fetal) e um ultrassom e, então, fui ao consultório. Estava com 1 cm de dilatação, mas, ao ver o ultrassom, a médica decretou: “Seu bebê está muito grande, com 3,980 kg e só faço partos normais em bebês até 3,5 kg”. Perdi o chão. Não tinha lido nada sobre até quantos quilos um parto normal não seria arriscado. Eu pedia calma, que precisava pensar, e ela disse: “Priscila, eu te disse que a apoiaria em um parto normal, desde que não oferecesse risco para você ou para a bebê. Nem mesmo pelo SUS fariam um parto normal com um bebê tão grande, pode quebrar algum ossinho e ela pode ter um problema para o resto da vida. É isso que você quer? Tente a sorte com um plantonista do hospital, talvez algum louco aceite.” Sem respostas, ela marcou minha cesárea. Recebi um documento dizendo: bebê macrossômico. A Lívia nasceu no mesmo dia, "salva por uma cesárea".
Priscila Moraes, mãe de Lívia
O PROBLEMA. Um bebê é considerado macrossômico (muito grande e pesado) acima de 3,7 kg, mas, ainda assim, é possível fazer o parto vaginal. A questão do feto macrossômico deve ser vista sempre em conjunto com o fator materno. Existem gestantes que conseguem dar à luz crianças grandes, porque têm uma boa bacia, o canal de parto. Há gestantes que, mesmo com bebês de peso normal (em tormo de 3 kg) não conseguem, por ter bacia estreita.
A SOLUÇÃO. É preciso se informar sobre se o médico apoia o parto normal e tem experiência em realizá-lo. Muitos profissionais sentem-se inseguros em fazer um parto normal por desconhecimento. Também existe o medo de processos. É mais fácil um médico ser processado por não fazer uma cesárea do que por tê-la feito desnecessariamente.
4. A gravidez ultrapassou o tempo previsto
"Deixei claro para o meu médico que queria um parto normal sem anestesia. Com 39 semanas, ele me examinou e disse que minha filha já estava encaixada e que o parto seria, muito provavelmente, naquele final de semana, mas não rolou. Ele tinha me dito que, se eu chegasse às 41 semanas, seria internada. Três dias antes disso, fui ao consultório e não tinha dilatação. Ele me disse que a cabeça estava muito alta e ele achava que ela não iria descer, porque meu quadril era muito estreito e informou que, para ele, o tempo de espera tinha acabado. Perguntei se não iria tentar induzir e ele disse que não, pois em seus 30 anos de experiência isso não adiantaria e ele não saberia se havia mecônio ou se iria causar sofrimento no bebê. Acabei fazendo cesárea. Soube, depois, que não havia mecônio, mas na hora fiquei em dúvida. Não acho que o meu médico me enganou, mas chegou ao limite de sua crença médica e achou mais prudente fazer a cesárea".
Elenira Peixoto, mãe de Dora
O PROBLEMA. A gestação humana normal vai de 37 a 42 semanas. Para que seja considerada passada da data provável (pós-data), precisa exceder 42 semanas ou 294 dias a partir do primeiro dia da última menstruação. Nem toda mulher dá à luz na chamada data provável de parto: 58% têm o bebê até o final da 40ª semana. Há a possibilidade de o “atraso” se dever à inexatidão do cálculo. Numa cesárea marcada antes que a mãe entre em trabalho de parto, há risco de o bebê nascer prematuro.
A SOLUÇÃO. É possível fazer exames para acompanhar o bem-estar do feto e a situação da placenta, que pode deixar de realizar a função respiratória e de propiciar os nutrientes essenciais de que o bebê necessita quando a gestação se estende muito. Se tudo estiver bem, ainda é possível tentar induzir o parto.
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sábado, 6 de fevereiro de 2010
Cama Compartilhada?
Aqui em casa somos adeptos da cama compartilhada, dormem comigo meus dois filhos e a vida é bem tranquila. Não me recordo de ninguém falar diretamente para mim que não achava legal a cama compartilhada, mas por diversas vezes me deparo com outros pais que acham um absurdo. Pois bem, irei pontuar algumas das razões que me levaram a compartilhar minha cama com meus filhos.
Quando os bebês nascem tem dificuldade de manter a temperatura corporal (perdem muito calor pela cabeça, por isso é usada a touquinha no nascimento). Quando o bebê dorme ao lado da mãe mantém a temperatura corporal através do contato, regula os batimentos cardiácos e a pressão arterial.
Não é necessário ir buscar o neném em outro quarto para amamenta-lo e assim a mãe e o bebê dormem melhor e mais tempo.
Quando o bebê dorme com a mãe acompanha sua respiração e mantém a própria, diminuindo risco de SMSI (Sindrome de Morte subita infantil), e caso a criança não respire a mãe está do lado e perceberá, pois nos tornamos sensíveis aos ciclos de sono do bebê e acordamos facilmente.
Se a criança se sufocar com alguma coisa é muito mais fácil que seus pais acordem se ele está dormindo no quarto. Lembrem-se, acidentes acontecem.
Estando perto, os pais podem socorrer, com mais facilidade, a criança de qualquer tipo de ataque ou ferimento como abuso sexual de parentes, cair da cama, ataques de animais domésticos, assaltos e outros.
Dormir junto torna menos provável que os pais se tornem agressivos com seus filhos, diminuindo o risco de abuso sexual, já uma criança dormindo sozinha nao tem proteção nenhuma contar um pai ou uma mãe com essa intenção, podendo facilmente manter isso um segredo.
Uma criança que dorme junto com os pais sabe que será acudida quando precisar, se torna menos agressiva durante o dia, dorme melhor a noite e não precisa sofrer sem necessidade. Pessoas descansadas são menos propensas a serem agressivas.
O choro foi feito irritante para chamar a atenção dos cuidadores, que devem atender a esse, mas o choro prolongado é estressante para a criança e para o cuidador. Quando um bebê/criança está na cama pode ser atendido antes mesmo de começar a chorar, tornando todo o processo menos estressante.
Irmãos que dormem juntos tem menos rivalidade entre si, tem mais probabilidade de construir um relacionamento profundo e duradouro. Laços de família são refeitas durante a noite, compensando o dia que algum membro passa fora.
A criança nao precisará lidar com medo, raiva e sentimento de abandono toda noite por ter sido deixada sozinha, se tornarão adultos mais tranquilos e com mais facilidade para lidar com as tensões da vida. Uma criança segura a noite, se sentirá segura de dia e por consequência mais segura com a vida.
Quando uma mãe amamenta libera hormonios tranquilizantes para ajuda-la a voltar a dormir, situaçoes de estresse inibem a função desse hormonio. Uma mãe que é acordada com o choro persistente de um bebê (até ouvir o choro ele já está em um certo volume, mesmo com a babá eletronica a pessoa não consegue "ouvir" os movimentos da criança, já se a criança estivese na cama a mãe sentiria e já o acolheria para amamentar) já levanta da cama em estresse, já inibe a liberação do hormonio que a ajudará a adormecer, ainda ir para o quarto do bebê, sentar-se numa poltrona e começar a amamentar e não poder dormir gera mais estresse ainda, fazendo as noites serem mais difíceis para mãe.
Hormonios do stress são presentes em niveis mais baixos em mães e bebês que dormem juntos, especificamente o balanço do hormonio CORTISOL, cujo controle é essencial para crescimento saudavel do bebê.
O toque e proximidade são elementos essenciais no apego entre mãe e bebê, o status hormonal que aumenta o apego é mais efetivo durante as mamadas noturnas, amamentação é mais sucessiva e continuada quando mães e bebês dormem juntos.
Eu comprovei tudo isso compartilhando minha cama com meus filhos. Percebo que a mais velha é muito segura e sei que isso tem relação com o fato dela se saber que sempre que ela precisar atenderei aos chamados dela, com rapidez. Com ela dormindo ao meu lado, mesmo que ela nao acorde ao ter um pesadelo, posso perceber pelos seus movimentos que algo não está legal e acordá-la.
Quem praticar cama compartilhada ficará impressionado com a capacidade de um bebê recém nascido "minhocar" seu caminho até o lado da mãe. Eu tive essa experiência com meus dois filhos, e fiz o teste para ver se era loucura minha, de colocar minha filha do outro lado da cama (uma cama tamanho king size) e acordar algum tempo depois com ela ao meu lado, sem eu ter mudado de lugar e sem eu ter pegado ela! É incrível.
Se ainda depois de todos esses benefícios associados a cama compartilhada você ainda pensa em treinamentos (como o nana nenê e o método da "Encantadora" de bebês Tracy Hoggs) para fazer o bebê dormir a noite inteira em outro quarto leia esse texto aqui.
Ou será que você acabará tendo que compartilhar um berço como esse pai?
As pessoas estudam tanto na vida, porque deixam de lado o estudo quando tem um médico envolvido? O caminho mais curto nem sempre será o melhor ou o mais fácil. Para que ter filhos se não tem condições de prover a eles o tempo e a adaptação ao ritmo de cada um deles? Está na hora de questionar os métodos, as estratégias, as regras, as imposições, as rotinas e os treinamentos impostos a todos nós, não só aos bebês.
Informaçoes retiradas do site: Soluções Para Noites sem Choro
Para praticar a cama compartilhada é bom saber as normas gerais de segurança
Quando os bebês nascem tem dificuldade de manter a temperatura corporal (perdem muito calor pela cabeça, por isso é usada a touquinha no nascimento). Quando o bebê dorme ao lado da mãe mantém a temperatura corporal através do contato, regula os batimentos cardiácos e a pressão arterial.
Não é necessário ir buscar o neném em outro quarto para amamenta-lo e assim a mãe e o bebê dormem melhor e mais tempo.
Quando o bebê dorme com a mãe acompanha sua respiração e mantém a própria, diminuindo risco de SMSI (Sindrome de Morte subita infantil), e caso a criança não respire a mãe está do lado e perceberá, pois nos tornamos sensíveis aos ciclos de sono do bebê e acordamos facilmente.
Se a criança se sufocar com alguma coisa é muito mais fácil que seus pais acordem se ele está dormindo no quarto. Lembrem-se, acidentes acontecem.
Estando perto, os pais podem socorrer, com mais facilidade, a criança de qualquer tipo de ataque ou ferimento como abuso sexual de parentes, cair da cama, ataques de animais domésticos, assaltos e outros.
Dormir junto torna menos provável que os pais se tornem agressivos com seus filhos, diminuindo o risco de abuso sexual, já uma criança dormindo sozinha nao tem proteção nenhuma contar um pai ou uma mãe com essa intenção, podendo facilmente manter isso um segredo.
Uma criança que dorme junto com os pais sabe que será acudida quando precisar, se torna menos agressiva durante o dia, dorme melhor a noite e não precisa sofrer sem necessidade. Pessoas descansadas são menos propensas a serem agressivas.
O choro foi feito irritante para chamar a atenção dos cuidadores, que devem atender a esse, mas o choro prolongado é estressante para a criança e para o cuidador. Quando um bebê/criança está na cama pode ser atendido antes mesmo de começar a chorar, tornando todo o processo menos estressante.
Irmãos que dormem juntos tem menos rivalidade entre si, tem mais probabilidade de construir um relacionamento profundo e duradouro. Laços de família são refeitas durante a noite, compensando o dia que algum membro passa fora.
A criança nao precisará lidar com medo, raiva e sentimento de abandono toda noite por ter sido deixada sozinha, se tornarão adultos mais tranquilos e com mais facilidade para lidar com as tensões da vida. Uma criança segura a noite, se sentirá segura de dia e por consequência mais segura com a vida.
Quando uma mãe amamenta libera hormonios tranquilizantes para ajuda-la a voltar a dormir, situaçoes de estresse inibem a função desse hormonio. Uma mãe que é acordada com o choro persistente de um bebê (até ouvir o choro ele já está em um certo volume, mesmo com a babá eletronica a pessoa não consegue "ouvir" os movimentos da criança, já se a criança estivese na cama a mãe sentiria e já o acolheria para amamentar) já levanta da cama em estresse, já inibe a liberação do hormonio que a ajudará a adormecer, ainda ir para o quarto do bebê, sentar-se numa poltrona e começar a amamentar e não poder dormir gera mais estresse ainda, fazendo as noites serem mais difíceis para mãe.
Hormonios do stress são presentes em niveis mais baixos em mães e bebês que dormem juntos, especificamente o balanço do hormonio CORTISOL, cujo controle é essencial para crescimento saudavel do bebê.
O toque e proximidade são elementos essenciais no apego entre mãe e bebê, o status hormonal que aumenta o apego é mais efetivo durante as mamadas noturnas, amamentação é mais sucessiva e continuada quando mães e bebês dormem juntos.
Eu comprovei tudo isso compartilhando minha cama com meus filhos. Percebo que a mais velha é muito segura e sei que isso tem relação com o fato dela se saber que sempre que ela precisar atenderei aos chamados dela, com rapidez. Com ela dormindo ao meu lado, mesmo que ela nao acorde ao ter um pesadelo, posso perceber pelos seus movimentos que algo não está legal e acordá-la.
Quem praticar cama compartilhada ficará impressionado com a capacidade de um bebê recém nascido "minhocar" seu caminho até o lado da mãe. Eu tive essa experiência com meus dois filhos, e fiz o teste para ver se era loucura minha, de colocar minha filha do outro lado da cama (uma cama tamanho king size) e acordar algum tempo depois com ela ao meu lado, sem eu ter mudado de lugar e sem eu ter pegado ela! É incrível.
Se ainda depois de todos esses benefícios associados a cama compartilhada você ainda pensa em treinamentos (como o nana nenê e o método da "Encantadora" de bebês Tracy Hoggs) para fazer o bebê dormir a noite inteira em outro quarto leia esse texto aqui.
Ou será que você acabará tendo que compartilhar um berço como esse pai?
As pessoas estudam tanto na vida, porque deixam de lado o estudo quando tem um médico envolvido? O caminho mais curto nem sempre será o melhor ou o mais fácil. Para que ter filhos se não tem condições de prover a eles o tempo e a adaptação ao ritmo de cada um deles? Está na hora de questionar os métodos, as estratégias, as regras, as imposições, as rotinas e os treinamentos impostos a todos nós, não só aos bebês.
Informaçoes retiradas do site: Soluções Para Noites sem Choro
Para praticar a cama compartilhada é bom saber as normas gerais de segurança
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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
O que tem no lanchinho das crianças?
(imagem do google imagens)
Beatriz, a minha linda bonequinha, tem 2 anos e meio, mamou exclusivo (isso significa que ela não comeu nada além de leite materno) até 11 meses por opção nossa (da Bia e minha) com base em alguns textos que li, só comeu carne depois de 1 ano e meio, só provou açucar (mascavo, raramente e quase nunca açucar branca) depois de 2 anos e seus lanchinhos hoje em dia são frutas, queijo branco, biscoitos e bolinhos integrais feitos por mim (esporádico), biscoito de polvilho (que eu ainda pretendo fazer em casa para usar ingredientes apropriados, mas por enquanto é industrializado e dou meio a contra gosto) e leite materno (sim, ela ainda mama). A uns 4 meses achei uma pessoa super do bem para me ajudar com a Beatriz, no começo ela ficou encanada com a alimentação da Bia, achou que era um exagero e um dia numa conversa disse que não entendia porque eu nao dava biscoitos, danoninho, suco de caixinha e outras coisinhas do tipo, eu expliquei para ela que era tudo cheio de aditivos, de substâncias químicas, que faziam mal para saúde. A resposta dela foi que se ela fosse mãe daria tudo aquilo para os filhos dela, que aquilo que era comida de criança, e era vendido na televisão, nas propagandas, nos programas como comida para criança, então porque deixaria de ser? Eu dei risada e falei que não concordava com aquele tipo de alimentação, que enquanto pudesse iria controlar. Ela seguiu minhas recomendações, meio relutante, e eu aos poucos fui passando informações para ela, e ela até começou a questionar porque eu fazia algo assim ao invés de assado (como a maioria faz), acredito que a relutancia diminuiu bastante quando permiti que ela desse um suquinho orgânico sem açúcar de caixinha para a Beatriz, pois estava tendo dificuldade de distrair a Bia quando outras crianças no parquinho começavam a tomar o maldito suquinho de caixinha e ela também queria (entendam, ela nao queria o suquinho, ela queria tomar no canudinho que nem as outras crianças). Permiti que ela desse o suco de caixinha, alguns dias, tentando não dar muitos dias seguidos e só quando a Bia pedisse, para não oferecer. Depois de alguns dias da introdução desse suquinho na alimentação a Bia começou a apresentar prisão de ventre, ainda sem ter relacionado uma coisa a outra, sentei com a babá e começamos a pensar tudo que tinha mudado, perguntei para ela bem sério se ela tinha dado algo fora do que eu costumava dar e depois de uns minutos de conversa chegamos a conclusão que era o suquinho que estava causando a prisão de ventre. Tiramos o suquinho e pronto, acabaram as prisões de ventre! Mesmo sendo as vezes, aquele suco, sem açucar de cana, cheia de fructose concentrada, causou a alteração no organismo.
Agora o que para mim não era novidade virou tema de pesquisa e o resultado não é nada legal.
"Perigo no lanche infantil"
Análise da Pro Teste em 31 produtos encontra substâncias prejudiciais à saúde das crianças. Clique aqui para ler o texto na íntegra.
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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Estar sempre errada
Quando nova ouvi uma frase que me marcou, frase que achei que havia superado, só que prestando atenção tenho percebido que não. Minha mãe me falou "Você está sempre errada, se estiver por perto e houver uma briga, você será a culpada". Foram muitos anos de rebeldia, pois já que eu seria sempre a culpada, que pelo menos eu tivesse alguma razão para que me culpassem. Passado o período de adolescencia e rebeldia comecei a acertar as coisas e trabalhar o máximo para mudar o meu temperamento. É claro que não foi a frase em si que me marcou, mas um conjunto de fatores, ações e reações que me cercavam. Lembro da minha mãe abrindo um livro de signos e lendo sobre o meu signo: escorpião, muitas defeitos, como perder o controle facilmente, e muitas qualidades, minha mãe falou que eu precisava lutar contra os defeitos, que se eu conseguisse superá-los seria uma grande mulher e conquistaria todos. São coisas que a gente nunca esquece. Lembro de pensar em como faria para mudar uma característica tão forte em mim, e pensar que ninguem iria gostar de mim se eu fosse a má escorpiana. Mais ou menos aos 12 anos comecei a minha luta para deixar de ser tão briguenta, lembro que cada vez que conseguia me controlar e não brigar ou bater em minhas irmãs, ou em colegas do condomínio, me sentia vencedora, até eu nao conseguir controlar e ouvir de todos que eu era assim, eu chorava e tentava falar de TODAS as outras vezes que eu tinha conseguido me controlar e ninguém havia dado valor, ninguém percebia. Até hoje continuo me esforçando para manter o controle, a diferença hoje é que eu SEI que melhorei muito, e por mais que raramente ouça elogios por essa mudança, ou reconhecimento por ela, eu tenho essa certeza de que mudei. Acontece que essa cobrança constante começa a ser exaustiva, e mesmo que nao houvesse uma cobrança externa, tem a interna, a cobrança que eu me faço de ser a mulher perfeita. Eu nao consigo e esses dias mais que nunca isso tem me assombrado, como um tapa na cara e uma ferida enorme no ego. Tem dias que eu penso que preferia enlouquecer e ser dada como louca, assim eu poderia me descontrolar e todos falariam que eu sou louca e pronto. O que acontece é que eu já me cobro a cada minuto e em cada situação, e quando alguém vem me cobrar algo que eu já estou desesperada porque não consegui fazer fico mais frustrada ainda e perco a paciência, brigo com a pessoa que me cobrou, mas na verdade a briga é comigo mesma. Esse mês eu chutei o balde, pedi um tempo, pedi compreensão, pedi ajuda e admiti em voz alta que eu nao dou conta. Mudou algo? Não mudou nada... as cobranças continuam e o pedido de socorro passa despercebido, e a resposta é: "A vida não pára porque você não está dando conta.".
Hoje ainda tive que ouvir pela milionesima vez, "Ou você muda ou as coisas não vão dar certo.", e isso me lembrou de um ditado que ouço com frequência que diz que temos que nos concentrar em mudar a nós mesmos, pois mudar o outro não é possivel. Sempre levo esse ditado em consideração, com dureza, pois muitas vezes gostaria que o outro mudasse, só que como não acontece lá vou eu me moldar e mudar. Hoje cheguei ao meu limite (por agora, nessa situação), porque eu tenho que mudar? Por que eu que estou sempre errada? Não é possível que em TODAS as situações pela qual passo, e que envolvem outras pessoas, eu sou sempre a errada, se isso é realmente verdadeiro, haja maldição, haja burrice, haja ignorancia e sei lá o que mais. E esse ditado não é válido para o outro? Tem momentos que eu tenho certeza que não estou fazendo a coisa errada e mesmo assim acabo sendo pisoteada e atacada com essas palavras que doem demais ouvir "OU VOCÊ MUDA, OU ....". Cansei, gostaria que todos que convivessem comigo olhassem para si e pensassem o que ELES precisam mudar para que esse OU deixe de existir. Porque eu pratico essa mudança SEMPRE, e vocês?
Imagem: Google imagens
Hoje ainda tive que ouvir pela milionesima vez, "Ou você muda ou as coisas não vão dar certo.", e isso me lembrou de um ditado que ouço com frequência que diz que temos que nos concentrar em mudar a nós mesmos, pois mudar o outro não é possivel. Sempre levo esse ditado em consideração, com dureza, pois muitas vezes gostaria que o outro mudasse, só que como não acontece lá vou eu me moldar e mudar. Hoje cheguei ao meu limite (por agora, nessa situação), porque eu tenho que mudar? Por que eu que estou sempre errada? Não é possível que em TODAS as situações pela qual passo, e que envolvem outras pessoas, eu sou sempre a errada, se isso é realmente verdadeiro, haja maldição, haja burrice, haja ignorancia e sei lá o que mais. E esse ditado não é válido para o outro? Tem momentos que eu tenho certeza que não estou fazendo a coisa errada e mesmo assim acabo sendo pisoteada e atacada com essas palavras que doem demais ouvir "OU VOCÊ MUDA, OU ....". Cansei, gostaria que todos que convivessem comigo olhassem para si e pensassem o que ELES precisam mudar para que esse OU deixe de existir. Porque eu pratico essa mudança SEMPRE, e vocês?
Imagem: Google imagens
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Women sacrifice sleep to “Do It All,” survey finds - UCSF News Office
This is what I'm talking about...
Women sacrifice sleep to “Do It All,” survey finds - UCSF News Office
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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
A Revolução feminista não está com nada!
Acho que alguma hora durante o movimento feminista as mulheres se perderam, começaram a lutar por direitos iguais sem levar em consideração o que isso significaria.Olha o resultado agora... as mulheres tem que trabalhar fora para sustentar, ou ajudar no sustento da casa, tem que cuidar dos filhos e ainda cuidar da casa. Em consequência disso os filhos são criados por estranhos, indo para berçários e escolas cedo demais.
Não pode dar colo demais porque vicia, bebezinhos fazem manha e precisam ser independentes desde o momento que nascem. É melhor dar mamadeira logo para que o bebê se acostume e possa ser alimentado quando a mãe voltar ao trabalho, dormir a noite inteira para a mãe aguentar trabalhar e tantas outras coisas que não são nada naturais. E a juventude de hoje? Crianças inseguras, adolescentes perturbados, todos desesperados por atenção de seus pais, e um ciclo começa, as crianças são insuportaveis e desobedientes e irritam seus pais que acabam se afastando mais ainda, deixando seus filhos mais carentes ainda, e o que eles fazem para chamar atenção?!
O que tem me irritado muito ultimamente é o que essa luto significa para as mães que desejam estar em casa cuidando dos seus filhos, pelo menos nesses primeiros anos de formação que são super importantes. Um dia desses estava recebendo visitas e uma perguntou " Voce está só em casa de licença?" e uma outra visita respondeu antes que eu pudesse falar "Ela não trabalha." Diga-se que a resposta carregava um certo desdém (e para piorar tudo a pessoa é mulher e também é mãe!). Como assim não trabalha? Ficar em casa e cuidar das criancas não é trabalho? Eu considero isso um trabalho, não entendam mal, como qualquer trabalho tem momentos ótimos e momentos horriveis (que mãe não passou uma noite em claro cuidando de um bebê ou criança doente?), e ainda mais, não é um trabalho qualquer, é um trabalho sem folga. São 24 horas por dia, 7 dias por semana, com pouquissimos intervalos. Com bebês você não vai ao banheiro quando quer e sim quando consegue, ou você deixa o bebê chorando enquanto corre no banheiro, ou leva o bebê junto para o banheiro, abaixar a calcinha é fácil, mas e para levantar? Tomar banho? Outra tarefa possivel somente quando as crianças dão uma tregua ou uma alma caridosa oferece para cuidar delas por alguns minutos.
Tem o dilema diário de prioridades, quando o bebê estiver tirando as sonecas diurnas o que fazer primeiro? tomar o banho? pagar as contas? estudar? fazer o almoço, jantar, café da manha? comer? Ler aquele livro que vai te dar as dicas do que e como fazer? o que?! E a noite quando você sabe que o bebê vai dormir por mais tempo? Ficar acordada algumas horas madrugada adentro e tentar completar o que não conseguiu terminar, ou aproveitar para dormir e descansar um pouco antes do bebê acordar novamente?
E o lazer? Quando é que as mães podem ter um tempo de lazer, tudo bem, isso da para fazer com as crianças, só que qualquer indivíduo precisa de um tempo sozinho, para respirar, para pensar, para fazer o que for!
Acho que as feministas deveriam ter lutado para serem reconhecidas no trabalho diário que faziam, ser dona de casa não é nada fácil e o feminismo não facilitou em nada. As revoluções tornaram o ato de maternar e ser mãe algo muito solitário, novamente eu volto a me queixar e desejar a vida em comunidade. Por que as pessoas não valorizam as mulheres mães que ficam em casa com seus filhos?
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